English version:

All posts have their English version after the Brazilian Portuguese version. Thank you!
Mostrando postagens com marcador Comportamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comportamento. Mostrar todas as postagens

domingo, 1 de janeiro de 2017

Porque é preciso falar sobre a dor... **English version below



             Recentemente, vi amigos queridos perderem pessoas importantes em suas vidas. Vi-me em um ciclo de dor, também, onde fui separada de meus filhos e tive que trabalhar em outro país. Vi muita coisa se desfazer na minha frente, nos últimos dois anos, e ainda sinto que algumas perdas doem bastante. Fico me perguntando: por que evitamos tanto falar sobre nossas dores?
             As dores, as perdas, os fracassos trazem a tona nossas fragilidades. E nós não gostamos nada de ser vulneráveis. Em um mundo volátil, importa parecer feliz e bem. Mas, e se eu não estiver bem? E se eu quiser que aquela dor doa até o fim, para ver se ela vai embora? Quem sabe, consigo respirar de novo e me levantar...
            A grande questão é que o mundo não para a fim de que você junte os pedaços e recomece novamente. Não. Você precisa seguir em frente, com suas dores e apesar delas, e precisa ainda parecer feliz e bem. Não é fácil. Ver os cantos vazios, antes ocupados por uma pessoa que você sabe que não volta mais, nunca mais, e ter que conviver com aquilo... dia após dia... é uma sensação muitas vezes insuportável. As grandes perdas normalmente nos deixam sem chão. Atordoados. A única forma de fazer com que a dor vá embora é sentindo-a até o fim.
          Como postei na timeline de uma amiga querida dias atrás, sentindo essa dor, ela vai ficando menos intensa, aos poucos. Cada bocado de tempo, colabora para que ela diminua. Uns levam uns meses, outros levam anos. Cada um tem seu tempo. Até você ver que dá pra respirar. Depois ela diminui mais um pouco e você já pode ir a alguns lugares sem derramar-se toda... até que um dia você percebe que ela (a dor) ainda está lá, mas em forma de lembrança. Aquela coisa tão dolorida é agora parte de suas memórias e recordações, algo para se guardar no coração. 
            Outra ilusão é a de que as pessoas que foram importantes e partiram devam ser apagadas da memória pois assim evitaríamos o sofrimento. Como poderíamos extinguir para sempre a doce memória de alguém que nos fez bem? A memória de alguém que fez parte de nossa história de vida é alguém que deva ser respeitada por todos aqueles que dizem nos amar. 
         E, por último, sigamos adiante. Porque a vida não para e todos aqueles que nos amaram e partiram gostariam de ver-nos bem. Ou, como diz Cora Coralina em seus versos lindos:
          “É que tem mais chão nos meus olhos do que cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça.”
          Esse post é dedicado às amigas Lilly DiCine e Tay de Oliveira, cujas mães, este ano, viraram estrelinhas. Também já tive uma segunda mãe que virou estrelinha, há um tempo atrás.


********** English version:


Recently, I have seen dear friends lose important people in their lives, they became really sad after parent's death. I saw myself in a cycle of pain, too, where I was separated from my children and had to work in another country. I have seen a some things fall apart in the last two years, and I still feel like some of that ruined world hurt me a lot. So, why do we avoid talking so much about our pains?
             
The pain, the gaps, the failures bring out our fragilities. And we do not like being vulnerable at all. In a volatile world, the only thing that matters is to look happy and well. But what if we are not well? And if  we want to bear that pain so deeply, just to see if it goes away? Who knows, we could breathe again and get up ...
           
The world does not stop to you collect your broken pieces and start again. No. You need to move on, with your pains and despite them, and you still need to look happy and well. It's not easy. Look at the empty corners, once occupied by a person that you know does not come back, never again, and have to live with it ... day after day ... is an often unbearable sensation. Big pain usually leave us with no floor. Stunned. The only way to make the pain go away is to feel it to the end.
          
As I posted on the timeline of a dear friend days ago, feeling this pain, it goes less intense, a bit every day. Every bit of time helps to make it not so painful. Some people demands take a few months, others take years. Until you realize you can breathe. Then it slows down a bit and you can go to some places without crying... One day you realize that it (the pain) is still there, but in remembrance form. That painful thing is now part of your golden memories and they are something to keep in your heart.
            
Another usual mistake is to think that people who passed away should be removed from our memories so we could avoid suffering. How could we delete forever the sweet memory of someone who has brought so happy moments to us? The memory of someone who has been part of our life is something to respect by all those who claim loving us.


         
And finally, let's move on. Because life does not stop and all those who loved us and passed away would like to see us well. Or, as Cora Coralina says in her beautiful verses:


          
"There is more road to walk in my eyes than tiredness in my legs, more hope in my steps than sadness in my shoulders, more road in my heart than fear in my head."
          
 

This post is dedicated to friends Lilly DiCine and Tay de Oliveira, whose mothers this year have become little stars. I also had a second mother who became a little star, a while back.


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Mulher, tome freio!! **English version below



Há alguns dias, um ser de um Planeta longínquo me mandou "tomar freio". Ora, apesar de ser um homem, coxinha, religioso, militar e completamente incapaz de entender o mundo a sua volta, refleti sobre o desejo que me parece comum por parte não só de homens coxinhas, mas de toda a sociedade, inclusive mulheres parecem concordar com isso: mulheres devem permanecer "freadas".          
Não, isso não é um subproduto da guinada ultraconservadora que o mundo deu no ultimo ano, isso é uma marca do caráter misógino de nossa sociedade. Espera-se que a mulher "se ponha no lugar dela", que não fale palavrão, que seja feminina, decorada, até inteligente - mas não muito - que colabore com os homens que cruzam sua vida, mas nunca lhes ofereça resistência. Que ela seja, em outras palavras, um mimo! Mas, aí é que esta o grande problema: e se eu não quiser ser um mimo?


       A resposta a essa pergunta, Madonna já deu quando fez seu discurso para a Billboard, como Mulher do Ano: "Se você é uma mulher, você tem que entrar na dança". Sim, você tem que parecer
bonita e feliz. E tem que tomar freio, porque homens não têm freio, mas você tem. Homens podem fazer o que lhes bem convier, do jeito que bem quiserem, mas você não. E por que não? Porque você é mulher. Espero que você possa perceber a ironia e a perversidade dessa justificativa.

       Então eu resolvi não ser um mimo. Resolvi ser uma cientista, feminista, comunista. Resolvi ser mar revoltoso, que pode tragar navios desavisados. Sim, sou força da natureza e isso não faz de mim uma pessoa má. Posso ser uma onda suave, também: gosto de cozinhar, fazer meu artesanato, cuidar de meus filhos e andar de mãos dadas com meu amor sob a lua cheia. A única coisa que não posso ser é como você quer que eu seja.


        O mais bizarro nisso tudo e que tem mulher que vai concordar com o discurso machista: mulher tem que ficar na sua. Sem palavrão. Sem exageros. Sem alegria. Sem vida. Sem tesão. Uma mulher linda, decorativa, estúpida e assexuada. Não, queridos... eu quero mais da vida.
******************************* English version: "Woman, step back!"
 A few days ago, an Alien from a distant Galaxy told me to "step back". Now, despite being a man,  fanatic religious, and completely incapable of understanding the world around him, I reflected on that desire which seems to be usual, not only by men who are stupid, but also by the whole of society, including women, that is: women must remain "back".

    

  No, this is not a product from the ultraconservative movements the world's societies has made in the last year. This is a trace of our misogynistic society. From a woman, is expected to "put herself in the right female place," not to swear words, to be feminine, decorative (like a biscuit), even intelligent - but not too much - to collaborate with men who cross their lives, but never offer them resistance. Just be, in other words, a gift! But, here is the big problem: what if I do not want to be a treat?

       
The answer to that question, Madonna already gave when she made her speech to the Billboard, as Woman of the Year: "If you are a woman, you have to play the game." Yes, you have to look beautiful and happy. And have to remain braked, you know men have no brake, but you have. Men can do whatever pleases them, just the way they want them to, but you do not. And why not? Because you are a woman. I hope you can see the irony and perversity of this.


       
So I decided not to be a treat. I decided to be a scientist, feminist, communist. I decided to be a ​​revolted
sea, which can swallow unsuspecting ships. Yes, I am a force of nature and it does not make me a bad person. I can be a gentle wave, too: I like to cook, make my handicrafts, take care of my children and walk with my love under the full moon. The only thing I cannot be is how people demand me to be.

        
The most bizarre in all this is that has women who will agree with the "macho" discourse: women has to stay in their places. No swearing. No exaggeration. No joy. Without life. Not horny. A beautiful, decorative, stupid, asexual woman. No, dear ones ... I want more from life.